Resenha: Paraíso Líquido, de Luiz Bras (por Tibor Moricz)

livro-paraiso-liquido-luiz-bras-3769-MLB4863425737_082013-FLi o livro de Luiz Bras em quatro dias, feito admirável para alguém que não tem muito tempo livre para isso. Deve ter ajudado (e como!) o fato de já ter lido em vezes anteriores pelo menos um terço dos contos apresentados.

O livro tem doze contos de ficção científica e um fronteiriço, mais pro lado de cá, que pro lado de lá (“Primeiro contato”). A capa é muito bonita.

Luiz Bras não é um autor que se esforce em escrever bem, dando atenção especial à forma. Isso já é uma coisa que faz parte dele, lhe é inerente. A estética se aplica automaticamente, permeando as linhas com absoluta naturalidade. Brinca com as palavras com segurança, as aplica corretamente, faz acrobacias, experimentalismos e experimentações.

Tem um domínio que poucos têm da arte narrativa.

Por outro lado (e sempre há outro lado), sinto que ele dá o pontapé inicial em alguns contos sem ter uma boa ideia de onde aquilo vai levá-lo. Ele mergulha num torvelinho narrativo muitas vezes confuso, divaga e devaneia, dando reviravoltas súbitas, deixando o leitor meio sem chão, meio sem bengala na escuridão. Permitir que a história se conduza por si própria, dando a ela pernas e braços, tem grandes perigos se o autor não estiver pronto a agarrá-la no laço quando isso lhe parecer necessário. O momento certo de fazer isso determina se a história acabará bem ou só arremedada. No caso em pauta, isso não chega a ser ruim, porque Luiz Bras, como eu já disse, tem um ótimo controle narrativo. Assim, mesmo uma condução que parece confusa acaba por ser simpática. Nós nos deixamos levar pela enxurrada, imersos em expectativa.

Alguns contos terminam de maneira pouco satisfatória. Outros são muito bons.

Luiz Bras fliducha e trupede enroscando-se, por vezes, no próprio laço, enquanto o leitor badulate e clipecapota, vencendo os obstáculos que a narrativa cheia de armadilhas do autor apresenta.

Paraíso Líquido é, no cômputo geral, um livro bastante bom. Para quem gosta do gênero e para quem não curte muito, também.

Recomendado.

(resenha originalmente publicada em 12/07/2010 em http://esooutroblogue.wordpress.com)