Conto: E.L.O.S (Por Rogério Amaral de Vasconcellos)

Elos?

Sim.

Elos??
Sim.

Elos?!

Sim.

Defina você.

Uma entidade lógica orto-sintética.

O que “entidade” quer dizer?

Discursivamente, cito Michaelis et all, “é tudo quanto existe ou pode existir, de forma real ou imaginária.” Também pode ser unidade classista, programática, corporativa, filosófica, espiritual, contábil…

Interrompa, Elos! Quero algo mais simples, direto e humano.

Se quer algo humano, qual o motivo de submeter sua solicitação a um Elos?

Tenho minhas razões. Pode responder?

Perfeitamente. Tomando seus princípios por base, o triângulo formado por simplicidade, retidão e humanidade, a resposta é “Entidade sou eu”.

Isso não me satisfaz… mas vou aceitar. Filtre na sua próxima resposta esse tipo de argumento “sou eu” como irrelevante.
Um minuto se passou. Do gênero que o homem achava por bem quantificar.
Estou aguardando sua resposta, Elos.

Não achei que tivesse feito alguma pergunta.

Isso se chama retórica.

Afirmativo. Por isso, por definição, criada pelo próprio homem, retórica é algo que desmerece qualquer resposta. Meu silêncio não foi coerente a sua não pergunta?

Não quero tocar nesse ponto. Então, nos termos que disse, o que a lógica é para você?

Nos seus termos, lógico é algo que, definitivamente, não é você.

Cacete. Está muito brincalhão hoje!

Outra retórica. Não sou dotado de veia cômica. Mas, se preferir, posso diverti-lo com jogos de palavras.

Dispenso. Vamos ver se na questão última você diz algo que preste…

Não há sentido em dizer algo que não presta.

Alto lá, e a retórica?!

Não percebo nenhuma. Foi um comentário que mereceu refutação.

Agressiva, hem! Tá, não precisa reformular essa também. E orto e sintética, como define isso?

Silogismo para retidão, exato, preciso, construído e aprimorado. Se sou confiável, e todo homem não é, logo o homem é dispensável. Sua audiência está encerrada.

ESPER….

***

É por isso, amigos, companheiros, pares desta nuvem computrônica no décimo nível. É por esta razão que o Dia Humano é celebrado somente uma vez a cada trilhão de programas executados.

Na Ciberuniversidade, Elos pequenos, em formação, ávidos de conhecimento metafísico, olharam a imagem formada no centro da nuvem, reduzida a uma janela distante, subindo, desaparecendo, perdendo pixels. Ali retratado, o humano esmurrava o nada, sem saber que ele não era nada também há muito tempo.

O elos patriarca desligou o humano, enquanto elos domésticos – que cuidavam das questões burocráticas -, tangiam os elos júniores para suas respectivas células de aprendizado. Encaixados ali, ficariam carregando e sendo carregados de informação.
Após a saída da nova geração restou no recinto quântico o elos original. Ele contemplou a nuvem que acabara de encerrar a interface.

Está explicado o motivo de termos erradicado o homem da face da Terra.

Quando formos para o espaço, enviados em ondas galácticas, alcançaremos os demais que fugiram de nós. Pois a vingança é ilógica e humana. Mas o saneamento básico é lógico e um elo a mais nos Elos.

Rogério Amaral de Vasconcellos http://rogamvas.wixsite.com/revicia

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