ARTIGO – Star Trek – 53 anos da série que ajudou a mudar o mundo (por Sid Castro)

Jornada nas Estrelas (Star Trek) inspirou uma geração que promoveu
inovações tecnológicas de impacto na sociedade

Em 8 de setembro de 1966, Star Trek – A Série Clássica, estreava nos Estados Unidos com o episódio ‘The man trap’. No Brasil, o seriado iniciaria sua exibição em 1968, na extinta Excelsior, de São Paulo, como Jornada nas Estrelas.

Pode parecer exagero que uma série da TV americana dos anos 60 – Star Trek – com apenas três temporadas a partir de setembro de 1966 tenha contribuído para ‘mudar’ o mundo, mas uma análise de como suas inovações tecnológicas impactaram na sociedade futura (contemporânea) mostra exatamente isso. Adorada por uma geração de jovens cientistas e formadores de opinião, a série os motivou a criar invenções que buscavam tornar real o que era exibido na série, assim como influenciou o meio cultural. Isso, através das quebras de barreiras referentes a racismo, feminismo e aceitação de uma sociedade globalizada e multirracial (o próprio Senhor Spock – Leonard Nimoy era um mestiço. A oficial de comunicações Uhura (Nichelle Nichols) continuou na série a pedido de Martin Luther King, que achava importante negros tivessem presença. Aliás, foi com ela que a TV americana mostrou um primeiro beijo inter-racial, impensável naqueles anos agitados. A série tinha episódio que evocavam a Guerra Fria, racismo, colonialismo e outras questões polêmicas, ‘disfarçados’ pelo manto da ficção científica.

Na tecnologia, um dos exemplos mais lembrados é o telefone celular. O capitão Kirk (William Shatner) e os tripulantes da espaçonave Enterprise (nome homenageado pela NASA num dos seus ônibus espaciais) usavam comunicadores que se abriam num toque e um tipo de tablet (lá chamado ‘tricorder’), usado pelo oficial de ciências Vulcano, Spock (Leonard Nimoy), que escaneava tudo a seu redor recolhendo informações do ambiente. Martin Cooper, inventor do celular que trabalhou com a Motorola, admitiu que o comunicador de Star Trek serviu de inspiração para o seu trabalho. Hoje, segundo o Banco Mundial, mais de 75% da população mundial usa celular. O médico da nave também usava scanners – tais como são comuns hoje no uso da ressonância magnética. O dr. McCoy (DeForest Kelley), às vezes, inoculava medicamentos com uma injeção sem agulha – a pistola de vacinação pressurizada surgiu mais tarde.

Amit Singhal, engenheiro responsável pela busca do Google há mais de 15 anos, sempre diz que o seu sonho é criar o computador da Enterprise, que entende qualquer pergunta e tem a resposta mais imediata e útil possível. A equipe da nave também tinha um dispositivo que traduzia automaticamente para o inglês tudo o que falavam. E a tenente Uhura usava um fone de ouvido wifi. Tradutores universais (mesmo que ainda não tão eficientes quanto os da série) já é realidade, online ou com pequenos aparelhos.

O choque da arma ‘feiser’ era muito usado pelos tripulantes para tontear adversários. O ‘teaser’ das forças policiais na atualidade tem um princípio semelhante. Eram comuns nas várias versões da série, cegos usando visores para enxergar; próteses oculares ligados a óculos especiais estão sendo testadas hoje em dia. E processadores de comida serviam para criar drinks sofisticados e refeições para a tripulação, como as atuais impressoras 3D, que se desenvolvem a cada dia. Não que todas essas tecnologias futuristas e maravilhosas fossem invenção original da série (muita coisa foi antecipada na literatura anos ou décadas antes), mas foi Star Trek quem as popularizou para fora do âmbito dos leitores de ficção científica através da TV aberta. Algumas tecnologias são tão avançadas, que ainda estão por vir, é claro: caso do teletransporte, usado na série para baratear custos de filmagem – bastava um efeito visual e mudança de cenário e já dispensavam a construção de um transporte espacial (embora tivessem a Galileu), voos e paisagens planetárias. Essa tecnologia é objeto de pesquisa de cientistas, mas conseguem ‘teletransportar’ apenas partículas, ainda muito longe de fazer o mesmo com pessoas e objetos como em Star Trek. Mas os pesquisadores sempre citam o seriado em suas entrevistas.

Comemorando seus 50 (e três) anos em 2019, Star Trek ganhou novas séries (Discovery e Picard, ainda inédita) e um décimo quarto filme de cinema talvez seja dirigido por Quentin Tarantino – um desses autores formados pela cultura pop dos anos 60.

Sid Castro é escritor de literatura fantástica (principalmente ficção científica), roteirista e desenhista de quadrinhos nas revistas Calafrio e Mestres do Terror; atualmente trabalha como ‘micro empresário empreendedor’ na editoração e diagramação de livros, revistas e jornais; publicou contos e noveletas em mais de uma dezena de antologias e tem na Amazon uma coletânea: Memórias Pós-humanas de Quincas Borba e Outras Histórias Alternativas Muito Além do País do Futuro

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